terça-feira, 20 de junho de 2017

17ª Paragem 2017: Aproveitar o bom momento

Trilhos Loucos da Reixida

Tempo: 02:47:31
Distância: 28.28kms
Classificação Geral: 3° Classificado
Classificação Escalão: 3° SenM

domingo, 11 de junho de 2017

Carta aberta à seleção nacional de Trail Running


Antes de mais gostava de vos dizer que foi um orgulho enorme acompanhar a vossa prova no dia de ontem... Fui acompanhando o desenrolar da prova de todos vós e quando vos vi a cortar a meta devo admitir que me ia caindo uma lágrima do canto do olho, é que vocês cumpriram um objetivo que defini há algum tempo e para o qual tenho trabalhado!

terça-feira, 30 de maio de 2017

16ª Paragem 2017: Que surpresa!

Columbeira Trail Run

Tempo: 01:56:38
Distância: 20.22kms
Classificação Geral: 3º Classificado
Classificação Escalão: 2º SenM

Foto da prova tirada pela minha irmã aos 16kms... Ótima foto com uma bela edição, parabéns maninha!

Na semana de 22 a 27 de Maio tinha como grande objetivo recuperar o corpo... O objetivo do primeiro semestre estava ultrapassado e a partir desse momento era importante tentar voltar ao "normal" o mais rápido possível. Assim, acabei por ir variando entre a corrida e a natação de maneira a evitar impactos! De dia para dia as sensações eram melhores, enquanto que na segunda feira o movimento de corrida estava "emperrado" e custava muito, no final da semana estava a voltar a correr abaixo de 5'/km e com ótimas sensações. Ainda que soubesse que num espaço temporal de 8 dias fosse impossível recuperar o corpo para um alto nível competitivo, tentei ao máximo estar "capaz" de competir numa prova curta mas que se adivinhava dura vendo o "vídeo de promoção" do Columbeira Trail Run.

Aquelas preocupações normais com a alimentação não foram propriamente uma prioridade alta nos primeiros dias da semana, o corpo basicamente absorvia tudo e estava "voraz" por repor todo o gasto do EGT e fui-lhe fazendo a vontade até que na quarta feira fui retomando os hábitos e tentei fazer uma alimentação o mais correta possível... Alguns dos vícios ainda não estão ultrapassados, o corpo ainda está ressentido mas já está a um nível aceitável. O que nunca deixou de ser uma prioridade foi a água, tentei sempre repor os níveis ao máximo e quando cheguei a sábado, o dia antes da prova parecia que pelo menos nesse aspeto estava tudo normal. Estava na altura de descansar para no domingo seguir para a prova.

Como era o único da equipa a ir a esta prova fui reforçado por dois elementos do "staff", a minha irmã, ou como ela gosta de ser chamada a diretora de imagem e a Mariana, ou como ela gosta de ser chamada a fã número 1. Saímos cedo de Torres Novas para garantir que estava tudo pronto a tempo e à hora prevista estávamos no local indicado pela organização no site/facebook da prova junto com alguns dos pontos de passagem onde os acompanhantes poderiam ver os atletas passar... Ótima iniciativa, parabéns pela ideia! Cheguei, fomos logo levantar dorsais e quando a minha irmã foi ver a lista de inscritos lá estava o dorsal nº1 atribuído a mim. Obrigado Daniel Dias, pelo convite e pelo "mimo" do Nº1.

Dorsal número 1 antes da partida
Antes da partida falei um bocado com o Daniel, acabei de preparar tudo com a ajuda do "staff" e fui dar uma corrida para aquecer... Vi o Rodrigo Noivo, o Miguel Bértolo e mais alguns amigos, trocámos umas palavras e fui ver ao longe a Cruz que marcava o fim da Subida do Picoto, mais uma bela iniciativa da organização que iria atribuir troféus aos três primeiros atletas a atingirem essa cruz (2.9kms de prova com 170D+). Quando estava a regressar ao local de partida aproveitei para me "despedir" da Joana e da Mariana e segui para ouvir o "briefing" da organização.

A ouvir o briefing... Foto de: Rui Loureiro Marques (obrigado pela "dedicação")
Após as palavras de vários elementos com algumas indicações importantes os atletas aglomeraram-se na partida, prontos para o início da prova... Após contagem decrescente seguimos para a primeira parte da prova, a tal até ao topo da subida do Picoto. 

O "abrir das hostilidades". Foto de: Rui Loureiro Marques
O ritmo inicial embora não fosse exageradamente alto foi relativamente forte... Aproveitei para abrir a passada e ia vendo pelo relógio o ritmo a que estava a ir para não me "descontrolar". Enquanto que no primeiro quilómetro fomos num grupo com alguns elementos, dentro do segundo quilómetro o Nuno Preciado acabou por fazer uma parte mais rápido, destacando-se do grupo, o que levou a um natural aumentar do ritmo e consequente esticão no grupo que vinha desde a partida. Foi também nesta altura que entramos dentro de uma das aldeias vizinhas da Columbeira, onde iríamos iniciar a subida até ao Picoto. O alongamento do grupo levou a que entrasse na subida em 4º lugar, atrás do Nuno que se tinha destacado, do Rodrigo que tinha assumido a perseguição e de outro atleta que ia junto com o Rodrigo... Apesar de as pernas ainda não estarem a 100%, o terreno onde estavam melhor era mesmo a subir e aproveitei para fazer o início da subida a correr, até para tentar entrar nos lugares do "pódio"! Logo nos primeiros 50 metros ganho o terceiro lugar e tento ir em perseguição do Rodrigo mas cedo percebo que a inclinação da subida é tal que era inevitável pôr a passo por aquelas escadas acima... Tento ao máximo retardar esse momento mas ao fim de 75 metros lá meto a passo ficando a 15 metros do segundo lugar! Tento meter um passo forte mas tal como eu, quer o Rodrigo quer o Nuno também metem. Vou controlando quem vem atrás e começo a ganhar alguma vantagem, parecia que o terceiro lugar estava "assegurado".

Meio da subida do picoto... Vê-se o início lá mesmo ao fundo. Foto de: Nuno Neves
A toada da primeira metade da subida mantém-se na segunda, a desvantagem para os da frente estava "estagnada" e a vantagem para os de trás crescia muito ligeiramente... Foi assim que cheguei ao topo da subida, o primeiro prémio estava garantido e agora começava a segunda parte da prova, os 17kms que nos iriam levar até à meta! Apesar de ter chegado em 3º lugar, este contava apenas para o prémio de montanha da organização uma vez que o Rodrigo era da prova pequena, encontrando-me assim em 2º lugar da geral dos 20kms atrás no Nuno Preciado. A descida que se seguia não era muito inclinada nem muito técnica, tentei ao máximo poupar as pernas de um desgaste precoce que poderia aparecer mas tentando ao mesmo tempo não perder lugares, conseguindo manter a posição no final da descida.
1ª descida da prova. Foto de: Pedro Carvalho

Entramos de seguida numa linha de água, uma zona mais rochosa que exigia alguns cuidados técnicos para evitar quedas e evitar também molhar o pé... É nesta zona que o Paulo Pernes me passa, passando assim a 3º da geral! Assim que saímos da zona do rio, passamos uma mini levada e entramos na segunda subida da prova, uma subida mais longa com o mesmo desnível levando a que conseguisse fazer tudo a correr e a um ritmo confortável. Cheguei lá acima e tinha ganho alguma distância para os atletas que se tinham chegado durante a fase do rio, excepto o Vitor Santos que assim que acabou a subida passou por mim a um ritmo forte e não fui capaz de o acompanhar. Estava nesta altura em 4º lugar mas as sensações a subir eram bastante agradáveis. Tento meter um ritmo forte nos quilómetros que se seguiam e poucos metros antes do primeiro abastecimento a prova faz um "cotovelo" onde vejo que não tenho ninguém atrás de mim num espaço de 200 metros. Como levava a mochila opto por não parar no abastecimento e arranco logo para nova subida... Consigo fazer tudo a correr novamente e sigo viagem sem ouvir ninguém atrás de mim! Por volta dos 8.5kms entramos num single track à direita e embora não houvesse fitas do lado esquerdo (que segundo a organização indicava que iria haver mudança de direção para esse lado) também não existiam fitas num espaço de 150mts... Como as marcações estavam a ser muito boas até ao momento, achei que me tinha enganado e volto para trás. Quando estava a chegar ao sítio da última fita, vejo um grupo grande a vir na minha direção, digo que não vejo fitas, eles também não vêm fitas a indicar a mudança de direção portanto voltamos a arriscar no caminho de onde eu vinha... A verdade é que passados 300mts lá estavam as fitas e seguimos caminho (as marcações foram perfeitas ao longo de todo o percurso o que me leva a crer que aquele troço sem marcações não foi da sua responsabilidade). 

Sigo na frente do grupo e tento meter ritmos mais altos para me voltar a "isolar" e consigo parcialmente, junto a mim já só estavam dois atletas, até que perto do quilómetro 10 entramos na zona mais técnica do percurso. Apesar de ir na frente do "grupo" e tentar apertar um bocadinho comigo, sabia que o ritmo não ia muito rápido, oiço os restantes atletas a aproximarem-se mas felizmente o troço não era muito comprido e passados 700mts entramos na aldeia de Camarnais iniciando uma nova fase do percurso... Quando saímos da aldeia o percurso começa logo a subir, ganho um lugar que tinha perdido logo após a entrada na aldeia e aproveito para ganhar o máximo de vantagem que consigo. A subida era longa mas o final não era muito inclinado, tento meter novamente ritmos mais fortes e chego rapidamente ao segundo abastecimento. 

Após o segundo abastecimento, numa das zonas mais bonitas da prova. Foto de: Rui Loureiro Marques

Após o segundo abastecimento até cerca do quilómetro 17, o "relato" da prova foi muito semelhante: sempre que era a descer, eu perdia um lugar para o Pedro Gouveia, sempre que era a subir, conseguia fazer tudo a correr e voltava a ganhar a posição! Durante os troços a direito (tal como na fotografia acima, numa passagem lindíssima de uma levada, seguindo para uma ponte que iria dar à subida dos 14kms) conseguia minimizar o a distância que estava a perder.

Passagem pela ponte. Foto de: Rui Loureiro Marques
Aos 16 quilómetros, após uma descida muito, muito inclinada, passo pela Mariana e pela minha irmã que estão à minha espera, digo que a descida anterior era muito complicada e que perdi um lugar por causa disso mas que ia tentar recuperar... E é mesmo isso que acontece, aos 17kms dão-se as últimas duas subidas da prova e como via o relógio a aproximar-se cada vez mais do fim, aproveitei para as fazer mais fortes, ganhando uma distância considerável para o Paulo. Quando chego ao final da penúltima subida iniciamos a descida já a ver a aldeia da Columbeira ao longe e decido arriscar mais um pouco... Foi uma aposta ganha, consegui não voltar a ouvir quem vinha atrás e já na última súbida só vi o Paulo uma vez! De seguida tínhamos uma descida mais técnica que a anterior mas tinha que arriscar à mesma, já faltava muito pouco.

Descida final. Foto de: Pedro Carvalho
Já no final da descida vê-se o caminho por onde iniciámos a prova, aperto ainda mais comigo e quando vou no troço de alcatrão que dá para a derradeira subida da prova (muito curta e pouco inclinada) vejo o atleta que ia à minha frente... Vou-me aproximando aos poucos e mesmo quando chego ao topo da subida, apanho o Paulo Pernes e acabo por o passar sem haver resposta, seguindo para a linha de chegada com o terceiro lugar da geral e segundo SenM.

Pódio da subida do Picoto. Foto de: Rui Loureiro Marques

Pódio da classificação geral com o mentor da prova, Daniel Dias. Foto de: Rui Loureiro Marques
A nível pessoal acabei por me sentir melhor do que estava à espera... Embora os ritmos não fossem tão altos como a prova pedia, consegui sempre andar bem a subir e minimizar o tempo que ia perdendo a descer tentando não arriscar demais. Agora é voltar aos treinos porque para a semana há Sesimbra e depois é descansar deste ciclo competitivo intenso.

Em relação à organização esteve muito, muito bem! Um cuidado enorme com os atletas que se fez notar desde o início com o briefing, um percurso super completo com trilhos exigentes tecnicamente mas também subidas "fáceis" para quem tivesse pernas para correr nelas e abastecimentos excecionais (embora não tenha parado deu para dar uma olhadela). Os prémios eram bonitos e com significado, dando destaque aos moinhos para a geral e para os prémios da "contagem de montanha" que deram outro significado aos 3 primeiros quilómetros! Recomendo esta prova a toda a gente, muitos parabéns Daniel por todo o trabalho com o percurso e à restante equipa por terem conseguido meter este evento "de pé"! 

terça-feira, 23 de maio de 2017

15ª Paragem 2017: Uma prova que fica para a vida!

Estrela Grande Trail

Tempo: 17:15:50
Distância: 109.5kms
Classificação Geral: 11º Classificado
Classificação Escalão: 4º SenM


A Serra da Estrela é mágica! Já a frequento desde que sou pequeno e sempre fiquei rendido ao seu esplendor. Tal como esta prova foi diferente de tudo o que já fiz até hoje, este post também vai ser diferente dos restantes! Vou saltar a "introdução" e vou direto para o dia antes da prova:

Após passar uma semana inteira a pensar, sonhar e imaginar a prova, finalmente chegou o dia de seguir para a Serra da Estrela. Juntámos uma enorme comitiva de Caracóis (os corredores e esses loucos que nos acompanham) e seguimos para Manteigas, "o coração da Serra da Estrela". Já conheço esta terra há muitos anos e sempre que lá chego arrepio-me... E desta vez não foi diferente! Olhei à minha volta, olhei diretamente para as Penhas Douradas, depois para o vale que nos encaminha para o Vale Glaciar e de seguida olhei em direção ao Vale da Ameixeira e ao Sameiro e senti o peso daquela Serra sobre mim! Aqueles eram alguns dos sítios onde iria passar no dia seguinte e não fazia a mínima ideia de como iria lá chegar
Mas o momento não era de aumentar ainda mais a ansiedade em relação à prova, seguimos para as casas que iriam ser o "centro de estágio do Caracol" para o EGT e fomos para a arena levantar os dorsais! Cheguei, levantei o meu dorsal, fiz a primeira verificação de material obrigatório e segui para a "banca" da Suunto para levantar um Suunto Spartan Ultra, uma oportunidade dada pelo facebook da Suunto, personificada pelo José Guimarães (do blogue De Sedentário a Maratonista). Trocamos alguns cumprimentos e regressamos ao Centro de Estágio para comer (sim, "esses loucos que nos acompanham" preocuparam-se com o jantar e os atletas só tiveram que sentar e comer) e seguimos rapidamente para o briefing do Armando Teixeira e restante equipa.

video

Um contra tempo impediu que o briefing se realizasse no Auditório de Manteigas mas rapidamente foi improvisado uma tela gigante no pavilhão onde as pessoas iriam pernoitar e alguns minutos depois da hora prevista o Armando tomou a palavra avisando que iria passar um vídeo de 2016 que iria resumir muito daquilo que teria de dizer em relação a 2017! E não podia estar mais correto, aproveitei o vídeo para "reconhecer" algumas das zonas que não tinha percorrido no ano anterior e relembrar outras que eram comuns aos dois percursos... Depois umas breves palavras do Telmo Dourado assim como as últimas achegas do Armando e finalmente chegou a hora de regressar ao "Centro de Estágio" e fazer a preparação final da prova. Configurei o meu relógio e o do Pedro Crispim (que também aproveitou a oportunidade da Suunto), preparei o material todo para o dia seguinte e estava na hora de descansar para o grande dia.

Eram 4h da manhã e o despertador toca, estava na hora dos últimos rituais antes da prova... Devido à "dureza" da prova optei por mudar o meu pequeno almoço! Em vez das torradas com café comi um prato cheio de massa e um bife preparado no dia anterior pela comitiva dos caracóis. Eu sei que não eram horas para estar a almoçar mas o desafio que se seguia assim o exigia.

"Pequeno Almoço" pré prova
Aos poucos a derradeira hora estava a chegar... O treino já estava feito à muito, o descanso também tinha sido bom e por fim a alimentação também tinha sido adequada, só faltava mesmo seguir até à arena da prova e esperar pelo momento da partida! E se esta prova foi especial em tudo, também nas fotos e nos momentos oportunos das mesmas houve um destaque especial... Em primeiro lugar uma ótima foto tirada pelo Paulo Nunes onde apareço eu e o Carlos Mendes, com o semblante "fechado". Os nervos estavam definitivamente a tomar conta de nós e o foco estava todo naqueles 109kms que iríamos percorrer! Em segundo lugar, uma foto tirada pelo Juca (ou CaracolTV) onde estou eu à conversa com um amigo de longa data, o Carlos Natividade que assim que me viu veio dar-me um forte e sentido abraço e dar os últimos conselhos para a prova, obrigado amigo! Obrigado também aos fotógrafos por eternizarem estes momentos!

Eu e o Carlos Mendes antes da partida
Últimos conselhos do amigo Carlos Natividade

Finalmente e pouco antes das 7h o Joca (speaker de serviço) chama os atletas para o controlo 0... Mostramos o dorsal e entramos na reta que iríamos atravessar horas mais tarde, para terminar a prova! Alguma animação, umas fotos da partida do Miro e após contagem decrescente do Armando Teixeira o cronómetro começou a contar, estava dada a partida para o Estrela Grande Trail. O início era em tudo semelhante à prova de 46kms do ano anterior, subir de Manteigas até às Penhas Douradas. O ritmo inicial foi baixo, a jornada antevia-se longa e ninguém queria fazer aqueles arranques usuais das provas mais curtas... O pessoal ia falando e rindo até que inicia realmente a primeira subida! Uma parede em paralelo que nos levaria aos S's que marcam a subida até às Penhas Douradas. Tal como disse antes não queria arriscar demais, sentia-me em condições de fazer praticamente a subida toda a correr, mesmo que a um passo lento mas optei por ir fazendo partes a correr e partes a andar... Vamos fazendo uma fila de atletas ao longo da subida e chego ao primeiro cruzamento com a estrada (cerca de meio da subida) em 5º lugar! Queria fazer a subida toda a um ritmo constante e fui conseguindo, a questão é que houve vários atletas que fizeram de trás para a frente e acabei por chegar ao topo da subida num grupo de 3, o Ezequiel Lobo, o Paulo Lopes e eu (ia a fechar o grupo, em 8º lugar) e assim seguimos até ao primeiro abastecimento, no Vale Rossim... Digo ao meu pai que me sinto muito bem, que apesar da subida ser dura não sentia muito o peso das pernas e isso só podia ser bom sinal. Como um bocado de banana e sigo para mais um troço conhecido, até à garganta de Loriga.

Foto do Miro Cerqueira (muito obrigado por esta obra de arte) antes do Vale Rossim
O que se seguia era um falso plano entre o Vale Rossim e a Garganta de Loriga... Fui o segundo a sair do abastecimento mas atrás de mim veio logo um grupo enorme! Enquanto o percurso era mais a subir (a fase inicial) ia ganhando algum terreno, estava a sentir-me muito bem e queria aproveitar esse "balanço" mas o terreno acabou por entrar numa fase mais plana (é a partir daqui que se vê a torre) e o grupo voltou a formar-se, de tal maneira que quando olhei para trás não via o último elemento... A fase final volta a subir ligeiramente e volto a ganhar um muito ligeiro avanço. A comitiva de caracóis estava na travessia de estrada, volto a dizer ao meu pai que estou muito bem e sigo! Sabia que havia novo abastecimento no final do primeiro "troço" da descida e queria abastecer os flasks e iniciar uma das subidas mais pronunciadas da prova! É precisamente nesta descida que começa o desconhecido para mim, a descida até Loriga é "exclusiva" da prova dos 109kms... Se já tinha visto algumas imagens da descida no briefing do dia anterior, só quando lá cheguei percebi realmente a descida que se tratava: inclinação brutal, técnica e com paisagens belíssimas! Só é pena que um gajo não consiga ver nada para estar de olho nas pedras (quem me manda a mim ser mau nas pedras?) Vejo o grupo todo a passar por mim e acabo por formar um duo com o Ezequiel Lobo que estava a descer a um ritmo semelhante ao meu... Vamos fazendo a descida e vamos conversando sobre a prova e sobre os ritmos alucinantes que a malta pratica a descer. Já perto do final da descida acabo por passar para a frente e tento arriscar mais um pouco na descida... Sabia que esta estava a acabar e queria tentar não ser alcançado pelo grupo de trás! É assim que entramos na aldeia e encontramos o 2º abastecimento com comida, o 3º com líquidos. É a primeira vez que paro mais de 20'' num abastecimento! Como uns salgados, o meu pai e a minha irmã trocam-me os flasks e sigo novamente com o Ezequiel para uma parte que era nova em toda a prova, a passagem por Fontão, antes de seguir para Alvoco.
Chegada a Loriga (foto da mamã)
Após sair do abastecimento continuamos a descer a aldeia de Loriga até que finalmente apanhamos um trilho que inicialmente se desenrola a "meia encosta" e que depois segue por uma subida parecida com a primeira, mas com pior piso (ramos secos pelo meio e lama)! Inicio a subida com o Ezequiel e depois apanhamos dois companheiros do Coimbra Trail Running e o Armando Costa do Dão Nelas Runners, seguindo logo atrás de nós o Pedro Batista, do ARSM. Tal como anteriormente estava a sentir-me muito bem a subir e na fase mais inclinada da subida acabo por seguir sozinho, ligeiramente destacado deste grupo e quem vinha mais próximo de mim era o Ezequiel e um dos elementos de Coimbra... Assim que a subida se "aligeira" o Ezequiel passa por mim, ficando os 3 espaçados por cerca de 50mts. Fazemos a subida a bom ritmo até que chegamos a um cruzamento e não vemos as fitas... O Ezequiel foi ver à frente se havia alguma coisa e nós fomos atrás ver se nos tínhamos enganado! 100mts atrás lá se encontravam as fitas à direita, para descer um corta fogo, chamo o Ezequiel e sigo para baixo... Quando o terreno volta a "planar" acabo por recuperar os lugares que tinha perdido com o engano e chego a Fontão na frente do grupo! 

Chegada a Fontão
Aproveito novamente para comer qualquer coisa, meto pela primeira vez pão, mais uns salgados, o André, o meu pai e a minha irmã vão-me tratando dos líquidos e quando já tinha tudo pronto arranco novamente com o Ezequiel que mesmo não me tendo ouvido a chamar por ele tinha chegado pouco depois de mim ao abastecimento. Fazemos a subida para sair de Fontão e seguimos em direção a Alvoco, o ponto de partida para a subida mais difícil da prova, mas já lá vamos... Nesta zona vou seguindo umas vezes atrás outras à frente do Ezequiel, até que meto a passo para voltar a comer uma barra e o Ezequiel me ganha algum espaço. Vou tentando colar e mesmo antes de chegar a Loriga apanhamos o Marcolino Veríssimo e somos apanhados pelo Tiago Teixeira, ficando ali um grupo de 5 que viria a chegar junto ao abastecimento (eu perdi-me duas vezes 10mts dentro da aldeia e acabei por ficar para último do grupo com o Marcolino Veríssimo.

Abastecimento de Alvoco, a falar com o meu pai
Este era o primeiro abastecimento com sopa... Como imaginava aquilo que ia apanhar no próximos 7kms (2kms a subir bem e os últimos 5kms onde se subia ainda mais, no quilómetro vertical), comi a sopa, uns bolos secos, dois bocados de banana, tudo isto enquanto ia contando a prova ao meu pai! Estava a sentir-me bem e os quilómetros ainda não se tinham verdadeiramente apoderado de mim... Como tentei comer o máximo que podia fui o último a sair do abastecimento mas a curta distância dos restantes, tanto que dois quilómetros após o abastecimento seguia atrás do Nelson Amaral (que se tinha perdido) e à frente do resto do grupo! As subidas estavam a dar-me um alento enorme e a que se seguia embora fosse muito dura estava a sair-me de feição... Já dentro do quilómetro vertical começo a ver um dos estrangeiros ao longe e sensivelmente a meio vejo que é o Thomas Wagner, que me tinha passado ainda na primeira subida! Tento ao máximo manter o ritmo que levava e consegui chegar a ele... Passei, olhei para trás e o Ezequiel já vinha mais para trás, estava a correr-me ainda melhor do que estava à espera, além de ter conseguido passar um atleta, estava a conseguir fazer uma subida muito consistente! Continuo na senda do Nelson e vejo o Pedro Rodrigues... Consigo também chegar a ele e o Pedro cede-me a passagem (boa recuperação da lesão, companheiro). Estava a ser perfeita esta subida e depois de passar todos aqueles momentos em que parece que a subida vai acabar e há sempre mais um monte para "escalar" vejo a torre e já só faltavsa mesmo uma reta de 500mts para a alcançar! Consigo correr, ainda que a um ritmo muito calmo vou-me aproximando da torre... Oiço a minha mãe a gritar por mim, a Carla Reis a pedir um sorriso para a foto (desculpa mas o cérebro já não permitia esse tipo de reações) e vou para dentro da torre! Não o queria transparecer mas estava num estado ligeiramente "eufórico" estava tudo a correr bem e queria manter aquela toada. 

Chegada ao ponto mais alto de Portugal Continental
Aqui voltava a haver sopa, ainda que não houvesse tigelas nem colher para a comer... Um copo que serviu de tigela e uma colher de sopa dada pela senhora que estava a acompanhar o Nelson (obrigado pelo gesto) e comi/bebi dois copos de sopa! Estava tudo a correr tão bem que não queria que fosse por falta de alimentação que a prova corresse mal... Após um ligeiro momento de descanso saí do abastecimento, ligeiramente à frente do Nelson e segui para os 50kms que restavam da prova! Os próximos 12kms quilómetros eram semelhantes ao que já tinha encontrado no ano anterior... Descida pelo alcatrão, seguíamos pelo trilho do Major (um dos mais técnicos do percurso) e seguimos por um planalto da serra até entrarmos na descida que vai dar ao Vale Glaciar! O Nelson passa-me logo nos primeiros metros de descida após uma "pausa técnica" e sigo no meu ritmo ao longo da restante descida... É no trilho do Major que começo a perceber que alguma coisa não está muito bem, o corpo parecia estar a perder a "força" de outrora e a tecnicidade deste trilho não estava a ajudar nada! Apesar de tudo consigo fazer a fase do planalto a correr a um ritmo razoável e entro na tal descida que vai dar para o Vale Glaciar... Como ia a descer não me apercebi que o ritmo não estava muito alto, ia passando pelos atletas dos 46kms, incluindo o Miguel Costa (ator), com quem troquei umas palavras e aquela falta de força não se notava de sobremaneira. Foi já perto do próximo abastecimento (antes de subir o lado direito do Vale Glaciar, no sentido da prova) que o Ezequiel me volta a passar e percebo que perdi muito tempo nestes quilómetros entre a Torre e o Vale Glaciar... Sigo atrás dele e chegamos rapidamente ao abastecimento. Encho de água e começo a subida que iria dar ao alcatrão! Vejo pela primeira vez o Pedro Ribeiro que tinha feito os 24kms, digo-lhe que as forças estão a começar a faltar, ele puxa por mim e quando passo pelo meu pai digo-lhe que estou a subir bem mas que a descer e a direito a coisa está mais complicada.
Foto do Pedro após o abastecimento do Vale Glaciar
Seguimos novamente o trilho que levava ao topo do Vale Glaciar e volto a ganhar alguma vantagem ao Ezequiel... Passo pelo grande Vitorino Coragem, trocamos umas palavras e lá sigo em direção ao abastecimento que este ano estaria na Casa de Apoio do Poço do Inferno, em vez de Poios Brancos, como no ano anterior! Durante a fase plana entre a subida que falei anteriormente e a Casa de Apoio, o Ezequiel passa a uma velocidade alucinante para mim na altura (não tenho a certeza mas parecia ir a correr abaixo dos 5'/km) e fico definitivamente para trás... Vou fazendo grande parte a correr mas de vez em quando metia a andar e lá chego à Casa do abastecimento! Como me estava a sentir mais fraco parei para comer, desde sandes a chocolate passando pelas bananas ia comendo de tudo o que apanhava. No final enchi os flasks com água fresquinha (o único abastecimento onde a comitiva de caracóis não foi) e segui viagem... Esta parte era uma novidade para mim, acabei por apanhar "boleia" de um grupo da prova pequena durante um grande bocado da descida e quando voltou a subir segui sozinho. Fiz o acesso ao Poço do Inferno a passar malta da prova dos 46kms até que chegámos à separação das provas (não dei grande relevância ao Poço do Inferno porque é um local que já conheço há muitos anos, mas é sem dúvida um local imponente, o acesso é que não é muito fácil com novos troços de autêntica "escalada"). 

Após a separação seguíamos por alcatrão durante 1km e entrávamos num trilho com uma autêntica parede pelo meio de um "bosque" e que iria culminar numa "mini besta" (apelido dado pelo Pedro Caprichoso) onde basicamente entrei em desespero... No fim de tantos quilómetro ter que fazer escalada (a não utilização de aspas é intencional) não é bem o meu tipo preferido de trilhos mas lá está, é igual para todos! É mesmo no topo desta parede que o Pedro Batista me passa... A seguir a esta parede, uma descida onde não havia qualquer caminho! Umas fitas penduradas nas árvores indicavam o local que tínhamos que palmilhar! Honestamente foi a parte que menos gostei da prova, a Estrela tem tantos trilhos e tão belos que aquela ligação pareceu demasiado forçada. De seguida entramos num trilho marcado pelo Parque que ia dar diretamente ao Vale da Amoreira... O calor estava a apertar com os atletas e só me apercebo verdadeiramente disso quando o Pedro Ribeiro e o André vêm a correr na minha direção (vinham quase a sprintar, tal era a preocupação, obrigado companheiros), com água na mão a perguntar se precisava! Estava a tentar gerir a água até ao abastecimento mas aquele meio litro soube maravilhosamente... Aproveitei para dar os parabéns ao Pedro pela ótima prova que fez nos 24kms e apesar de nesta altura já alternar mais frequentemente entre o passo e a corrida tentei fazer o que restava até ao Vale da Amoreira a correr, até para poder voltar a comer convenientemente, esperava eu. 

Abastecimento do Vale da Amoreira
Felizmente neste abastecimento tínhamos novamente a sopa e também massa... Comi os dois, parei um bocado para tentar recuperar forças e com uma enorme atenção por parte de toda a comitiva dos caracóis (obrigado malta, do fundo do coração) lá segui para os últimos 20kms da prova! A verdade é que não fazia a mínima ideia do que iria apanhar e quando percebi "onde estava metido" entrei em desespero... A energia da massa ainda não tinha chegado aos músculos e quando percebo que vou para a torre de vigia que estava mesmo no ponto mais alto daquele monte entrei em desespero! 800mts de D+ em 5 quilómetros já é duro em qualquer situação, agora imaginem após 90kms na Serra da Estrela, é de loucos! Tentei gerir emocionalmente esta má fase mas a coisa não se afigurava fácil... O escuro da noite estava a começar a instalar-se e poucos minutos depois de passar pela tal torre de vigia sou obrigado a ligar o frontal. Ainda vejo os dois atletas que me passaram ao longo da subida mas o facto da noite ter caído e de estar mesmo muito cansado obrigou-me a ter cuidados redobrados e deixei completamente de os ver! Quando chegamos ao alcatrão, sem me aperceber o meu corpo estava novamente a ter alguma força, mas o estado anímico não me permitia sequer raciocinar, quanto mais sentir a força... Quando chego ao Sameiro estava mesmo chateado, estava a entrar em desespero por saber que ainda tinha que apanhar uma subida muito parecida com a anterior e ainda por cima de noite! O meu pai lá foi falando comigo, fui ao abastecimento e quando voltei estava mais calmo. 

Só faltavam 10kms, independentemente da altimetria, tinham que ser feitos! Tal como previsto seguia-se uma enorme subida... Se a anterior eram 800D+ esta era mais suave: 700D+!!!! Lá começei a subida e tentei meter um ritmo mais forte! Entre os 65 e os 95kms fui muito lento e queria evitar ser ultrapassado por mais alguém. Esta subida feita de noite mais parecia o quilómetro vertical, quando parecia que não havia mais para subir, lá vinha mais uma rampa enorme e o final então era de loucos. Quando cheguei ao topo e começei a descer pensei que já só faltavam 5 quilómetros, agora era gerir da melhor maneira, tentar correr o maior tempo possível para chegar a Manteigas no lugar em que estava... Consegui fazer quase tudo a correr, inclusivamente quase toda a subida que dava acesso a Manteigas, estava finalmente a sentir-me razoável outra vez! Fiz o percurso todo por dentro da aldeia a correr e ao fim de 17h16' estava de volta à reta que tinha percorrido minutos antes da partida!

Passagem pelo pórtico de chegada onde o Joca aguardava pacientemente pelos atletas, obrigado pelo enorme apoio que tens prestado aos atletas nas provas onde marcas presença!
Estava finalmente concluída a prova mais difícil da minha vida! Uma prova cheia de ensinamentos onde passei pelo estado de euforia aos 60kms e aos 100kms estava em completo desespero voltando a estar em "mínimas" condições aos 105kms... Este tipo de provas levam o nosso corpo ao limite e no final senti claramente que todo o esforço a preparar esta prova tinha valido a pena! O tempo não era de todo o planeado mas as condições em que se realizou esta prova levaram a que ficasse muito satisfeito comigo próprio e ainda mais com o 11º lugar da geral e 4º SenM! Mais satisfeito ainda fiquei quando vi o Crispim a chegar a seguir a mim e o Gil pouco depois, conseguindo a nossa equipa finalizar em 3º lugar, feito conseguido pela primeira vez no Campeonato Nacional de Ultra Trail Endurance! Parabéns à restante caracolada que terminou esta prova, aos que concluíram as provas mais pequenas e esperaram por nós "noite dentro" e à comitiva de caracóis que tornou estes resultados possíveis... Não só nos acompanharam durante toda a prova, como garantiram que nada faltava aos atletas, ficavam felizes por nos verem a cada abastecimento e transmitiam essa alegria para nós... Já não tenho mais palavras para descrever esta "família", obrigado por tudo! Dentro desta família gostava mesmo só de dar um agradecimento especial aos "Godinho" pela maneira como me acompanham em todas as provas! Desde o cuidado do meu pai, ao carinho da minha irmã passando pela preocupação da minha mãe demonstram todos os dias o que é ser a melhor família do Mundo, obrigado! Ao Carlos Mendes que não conseguiu concluir a prova, não te preocupes, outras oportunidades surgirão, cá estaremos para te acompanhar!
Por fim agradecer a quem acompanhava de longe a prova, a todos os caracóis que iam acompanhando pelo facebook, ao Duarte Mendes que foi acompanhando a prova toda e estava preocupado por o meu chip não estar a passar nos "abastecimentos" e à Mariana que estava a sofrer ao longe por não ter notícias e não conseguir falar com frequência com a minha irmã!

Prémio pelo 3º lugar de equipas
Resta só fazer mais dois apontamentos em relação à prova, sobre o equipamento e sobre a organização:
Em relação ao primeiro ponto não podia estar mais feliz... A mochila da Instinct fez os 109kms com o material obrigatório todo, sempre com tudo "à mão" e sem nunca se tornar um "peso", continuou sempre o colete que prometia ser! As meias compressport fizeram os 109kms sem nunca serem trocadas e sem uma única bolha ou caule, uma ótima surpresa! Os calções WAA foram já uma confirmação, fizeram a prova toda sem saírem do lugar, sem uma assadura! Se o resultado não foi melhor garantidamente que não foi pelo equipamento. Só não consegui tirar grandes conclusões em relação ao relógio porque foi só basicamente receber, configurar, correr e entregar, mas pareceu muito completo.
Em relação ao segundo ponto, embora a organização tenha "pecado" em alguns pontos não deixa de receber os meus mais rasgados elogios. Planear um percurso tão belo como este, preparar tudo para que não falte nada aos atletas e a preocupação pessoal com que fui tratado por TODOS os elementos do staff são motivo mais que suficiente para querer voltar a esta enorme prova, parabéns Armando Teixeira e restante equipa por este enorme evento com que nos presentearam, uma prova de atletas para atletas!

terça-feira, 16 de maio de 2017

Esses loucos que nos acompanham!

Eu conheço-os... Já os vi muitas vezes!

Saem à mesma hora que os atletas mas vão sem o objetivo de correr... A única coisa que querem é que o atleta passe em "condições" por eles. Aguardam uma, duas, três horas para o verem e no fim ficam agradecidos por um "estou bem"! Aguentam chuva, frio, sol e calor... Aguentam horas e horas a fio sem comer e quando finalmente o atleta chega ao abastecimento, só querem que ele coma o que precisa e retorne à prova. Estão loucos!

Vão quando a prova é de 10, 20, 50, 100 ou 160kms... Vão sozinhos, acompanhados, separam-se durante a prova para poderem apoiar o maior número de atletas possível! Fazem amizades com outros acompanhantes, comentam a prova e vão deduzindo o final mesmo antes de ele acontecer! Não são assim tão raros, aproveitam para tirar fotografias às quais os atletas se limitam a meter gosto nas redes sociais... Um abraço no fim ou um beijo de agradecimento é o suficiente para considerarem a sua missão cumprida.

Conheço-os bem, vêm na cara dos atletas todas as sensações que eles estão a sentir, sofrem com a demora não programada dos atletas, entram em euforia quando percebem que está tudo a correr como planeado! Procuram resfrear os ânimos quando está melhor do que o planeado e no fim ficam orgulhosos pelo resultado obtido, afinal de contas, sentem-se como se tivessem corrido com eles...

Já os vi, planeiam os abastecimentos para não se atrasarem um minuto... Sabem os caminhos intermédios e todos os pontos onde os atletas cruzam estradas! Sabem cada alimento que os abastecimentos têm e preparam aqueles que acham que vão dar mais jeito ao atleta. Preocupam-se em ter um mimo para animar a "moral" mesmo quando as coisas estão a correr mal! Aproveitam para ir contando aos amigos pelo facebook o que vai acontecendo quando estes não puderam acompanhar pessoalmente... Estão loucos!

No carro têm material de primeiros socorros, têm equipamento suplente, têm saco de cama, mantas e tudo o que podem vir a precisar durante o acompanhamento. Passam pelas brasas durante 10' e só de saber que o grupo antes do atleta que estão a acompanhar está a começar a passar, ficam despertos como se tivessem bebido 10 cafés: "ele vem aí, não posso falhar". Têm um sentido de responsabilidade que é difícil de definir, o atleta está sempre à frente deles mesmos...

Vejo-os muitas vezes... Nunca deixam ninguém ficar mal! Apoiam quem não tem apoio, apoiam todos os atletas quando a malta da organização já não tem mais mãos para ajudar! Quando vão em grupo deixam uns no abastecimento e outros vão mais para trás no percurso para perguntarem como está o atleta e o que é preciso! Estão em contacto permanente e quando o atleta chega mesmo ao abastecimento está tudo pronto para ele pegar e seguir... E mesmo sem uma palavra de agradecimento, ficam com um sorriso de orelha a orelha porque no fundo sabem que o atleta lhes está profundamente agradecido. São loucos!



Felizmente que ao longo da minha vida me fui cruzando com estes loucos... Aliás, começei por ser eu mesmo um desses loucos! Desde as provas em que esperava ansiosamente pelo meu pai em Castelo Novo nas maratonas de montanha, quando ficava feliz por ele me dar um "mais cinco" na meia maratona da Nazaré, quando comecei a acabar as provas de mão dada com ele até à Serra da Freita em que aguardei mais de 3h por ele, por estar profundamente preocupado com o seu estado, tinha muito orgulho em fazer parte destes loucos! Mas como o tempo passa, passei para o outro lado, para os loucos que correm! E felizmente nunca me faltou nada... Tive sempre loucos que não me deixavam ficar mal! A minha mãe e a minha irmã, sempre presentes e com uma vontade de ajudar enorme! O meu pai que me têm dado um apoio fundamental e com quem tenho uma cumplicidade que é impossível descrever! A minha namorada que quando pode aparecer dá um boost enorme de confiança! O João Martins e o André Ferreira, não tenho palavras para vocês, amigos, sempre com uma disponibilidade total... Não importa quem vai correr, o que importa é que esteja acompanhado, obrigado aos dois! O Juca e a Ana que mesmo quando o filho não vai correr, lá estão para tirar fotografias e dar ânimo, assim como estão sempre dispostos a dar abastecimento nos treinos maiores! Todos os caracóis que acompanham quer por dentro, como atletas, quer por fora! Todas as pessoas que ficam a sofrer atrás de um computador ansiosos que venham novidades! Esta homenagem é para todos vós! Um muito, muito obrigado!

A cumplicidade de que falei... Trail do Zêzere!

Último quilómetro com a minha irmã... Trail do Almourol

Abastecimento de Marvão com a mãe... UTSM
João Martins comigo e com o Pedro Ricardo durante os 111kms do Sicó

André Ferreira comigo e com o Pedro Ricardo num abastecimento... UTSM 

Abastecimento pelo Juca e Ana no último treino na Lousã antes do EGT

quarta-feira, 10 de maio de 2017

14ª Paragem 2017: Ainda há tanto para aprender!

Trail Castelo de Abrantes

Tempo: 03:26:38
Distância: 36.43kms
Classificação Geral: 4º Classificado
Classificação Escalão: 2º SenM

O grande objetivo do primeiro semestre de 2017 está mesmo a chegar e grande parte da preparação está feita... Embora tivesse um esboço de como seria esta fase final de preparação, a realidade acabou por sair bastante diferente e este fim de semana foi um bom exemplo dessas situações. Não podendo cumprir com o plano inicial, aparecia no calendário uma prova que não sendo muito extensa, acabava por ser uma ótima prova para concluir uma das semanas mais intensas do plano de treinos de 2017 até ao momento. Com 36.5kms e com 1300 D+, o Trail de Castelo de Abrantes aparecia como uma boa hipótese de testar o corpo pela última vez. Além disto tinha ainda a vantagem de ser a terceira prova qualificativa para a Taça Nacional de Trail - Zona Centro, ficando assim decidido que iria participar nesta prova.

As duas semanas que antecederam esta prova foram bastante distintas... Uma em que praticamente tudo o que podia correr mal, correu (pouco descanso, má alimentação, sem cumprir duas sessões de treino) e a segunda onde correu quase tudo como planeado. Apesar de ter tentado compensar alguma coisa durante esta segunda semana, há coisas que só mesmo com o fim de semana e com mais tempo para descansar é que se conseguem recuperar e a verdade é que a preocupação em restabelecer o corpo não foi a maior... Inconscientemente acabei por fazer tudo o que me deu na "real gana" e isto tinha tudo para ter repercussões no domingo. Apesar de tudo fui cumprindo com todas as sessões de treino e cheguei a domingo com a esperança que quando dessem o tiro de partida este cansaço acumulado desaparecesse e conseguisse meter os ritmos que andava a meter nas últimas provas.

No domingo segui com a restante caracolada para Alferrarede, local de concentração dos altetas, onde acabaria por ser a chegada mas não a partida. Chegámos, vimos a malta do costume destas provas mais "perto" de casa e fomos equipar... Após a foto de família, aproveitámos para aquecer um bocadinho, meter a conversa em dia e só depois nos dirigimos para a "suposta" partida. Quando chegámos o briefing já decorria mas também já tinha lido o que a organização tinha posto à disposição dos atletas no site da prova e deduzi que não houvessem grandes alterações. 

Foto da família Caracol antes das provas (Trail curto e longo)
Após o registo de todos os atletas numa espécie de funil é dada a partida e seguem logo na frente quatro atletas que deduzi serem da curta a um ritmo completamente alucinante, parecia uma prova de estrada... O Pedro Ribeiro pergunta-me se esta era mesmo a partida real, que havia atletas ao lado dele a dizer que isto ainda não era a partida. Pelo sim, pelo não, acabei por seguir num ritmo algo confortável mas sem nunca deixar de ver os atletas da frente. E ao fim de 800mts chegámos a um elemento da organização, com uma fita a indicar o locar de partida. Voltaram a aglutinar todos os atletas e aí sim, foi dada a partida real. Um pequeno reparo à organização: já que deram toda a informação ao pessoal no vosso site, podiam também avisar que a prova tinha duas partidas, Ou isso, ou faziam o novo briefing após o controlo de todos os atletas, assim garantiam que toda a gente ouvia as instruções.

Após contagem decrescente de 5 a 0, seguimos então para a verdadeira partida. Ainda estavam decorridos menos de 500mts do percurso e encontrávamos logo a primeira subida e logo com o maior desnível positivo que iríamos encontrar ao longo da prova. Aproveito esta subida para meter o meu ritmo, sabia que estava forte a subir e queria aproveitar para ver como reagiria o corpo. A resposta não poderia ser melhor, fiz a subida a um ritmo certinho e cheguei lá acima junto com o Pedro Ribeiro, com uma ligeira vantagem sobre o Luís Mota e o Bruno Pereira.

Início da descida após a conquista do Castelo de Abrantes
Após a maior subida da prova seguiu-se também a maior descida... Desde as muralhas do Castelo até ao centro da cidade a descida era longa e por vezes tinha uma inclinação negativa bastante acentuada. Apesar de estar a descer a bom ritmo o Luís Mota consegue colar ainda antes de meio da descida e o Bruno consegue também fazer uma aproximação rápida. Entramos num single track, sigo na frente do grupo (junto a nós seguia um elemento da curta) e assim que o trilho fica um bocado mais técnico chego-me para o lado, e acabo por ficar ligeiramente para trás... Saltamos para um riacho (obrigado Bruno pelo aviso) e rapidamente começamos a segunda subida da prova, esta já muito parecida com as restantes que iríamos encontrar no resto da prova: curtas e muito inclinadas. A meio desta subida, o Pedro e o Bruno ainda voltam para trás porque estavam a ir pelo caminho errado e ficamos os 3 num grupo (o Mota seguia com avanço em relação a nós) até que chegamos ao Estádio Municipal. Fazemos a reta que acompanha aquele complexo desportivo (com ótimas condições para vários desportos) e assim que viramos à direita para um trilho novamente a descer, volto a ficar para trás e desta vez, irremediavelmente... Ainda os vi no acesso ao 1º abastecimento mas já iam relativamente longe e foi a partir daqui que começei a sentir que não tinha pernas para os acompanhar. 

Acesso ao primeiro abastecimento
A partir do abastecimento seguíamos em direção ao Parque da Cidade, uma zona verde, não muito afastada de Abrantes onde se encontravam várias zonas propícias para passar uma tarde em família onde tudo parecia muito bem estimado. Começei a perceber que sempre que o percurso era a subir até estava a conseguir subir bem mas na altura de arrancar mais rápido a direito e a descer as forças não estavam a ajudar muito. À saída do parque (9.5kms) tínhamos a primeira separação dos percursos do Trail Longo e do Trail Curto, não tinha noção do atraso que levava mas tinha que tentar ir atrás do prejuízo. Tentei fazer o que restava da subida a um bom ritmo e fiz a descida seguinte também em boas condições. Temos uma passagem por baixo da A23 viramos à direita e... Nova subida! Volta a ter pouco desnível mas ainda assim não dá para meter ritmos altos. Sigo o mais rápido que consigo, não tinha ainda perdido a esperança de apanhar o trio da frente. Faço a descida seguinte e após um troço muito curto a direito (onde atravessamos a fazenda de um senhor que lá estava a trabalhar) chego ao segundo abastecimento.

Chegada ao segundo abastecimento
É a partir deste abastecimento que a prova começa a mudar para mim... Fizemos alguns troços diferentes do que tínhamos encontrado até aí, desde trilhos abertos propositadamente para a prova (ou pelo menos assim parecia) até zonas em que parecia que apenas tinham sido pisadas para a marcação do percurso... Não estou com isto a criticar a escolha de percursos pela parte da organização, a única coisa que estou a dizer é que não me dou bem com este tipo de traçados e acabei por ir um bocado abaixo psicologicamente. Saímos do segundo abastecimento e iniciámos um percurso a direito por onde não havia caminho seguindo de seguida para uma subida que passava a meio por baixo da A23 e que continuava a subir até um picaroto... Fazíamos um trilho a meia encosta e voltávamos novamente a subir até nova junção com o Trail Curto. Rapidamente cheguei ao terceiro abastecimento (20kms) e como não havia água, abasteci com isotónico! Flasks cheios (pensava eu que até ao fim da prova) e siga... Apesar de já ter "abdicado" da prova, sabia que vinha malta na perseguição e tinha que aproveitar as subidas onde me estava a sentir bem para manter o avanço. E felizmente que a seguir a este abastecimento havia uma das subidas que mais prazer me deu fazer, a seguir à ascensão ao castelo... Sempre constante e com boa inclinação, consegui voltar a correr a bom ritmo. Após isso temos uma boa descida e o percurso continua semelhante até aos 28kms, local do penúltimo abastecimento. Pergunto pelos da frente e dizem-me que já vão com quase 10' de avanço, só o terceiro, que era o Pedro é que estava mais para trás. O MIUT ainda pesava nas pernas e acabou por ficar para trás na luta pela vitória... De qualquer maneira, como disse antes, não queria quebrar demasiado o ritmo e se por acaso conseguisse apanhar o Pedro, seguia com ele até à meta... Daqui até ao final tínhamos ainda uma passagem por uma linha de água, onde estava o Juca a tirar fotos (obrigado pelas ótimas fotos, mais uma vez), acabei por desabafar com ele que a prova estava mesmo a correr mal e segui para o que faltava até ao final da prova.

Desalento total por esta prova mal conseguida
Daqui até à meta foi "um saltinho"... Segui a ritmo controlado até regressar a Alferrarede onde estava a Joana a dar-me nas orelhas por demorar "tanto", junto com o Hugo e com o Pedro Mourão. Cheguei, troquei umas breves palavras com o Mota (parabéns pela vitória) e com o Pedro e tive que me ausentar imediatamente por motivos profissionais... As minhas desculpas à organização e companheiros de pódio (Pedro Ribeiro e Carlos Mendes) e restante equipa (pódio coletivo) por não vos poder acompanhar na subida ao pódio!

Pódio de SenM, com a Joana a fazer de Tiago Godinho, obrigado
Em relação à organização gostaria de deixar os meus parabéns pelo esforço que tiveram em "levantar" esta prova... Um percurso bem marcado, com muita gente a auxiliar (quer na segurança a cortar estradas, quer para não haver enganos) e com uma boa envolvente na zona da chegada. Alguns pormenores onde podiam melhorar como a divulgação das informações só após o controlo de todos os atletas, aquela falta de água aos 20kms (pelo menos para os atletas que chegaram na mesma altura que eu) são coisas que podem ser melhoradas e que acrescentam valor à prova assim como a passagem por trilhos com maior "interesse", se bem que a zona não dá para fazer muito melhor. De qualquer maneira, obrigado pela prova que nos proporcionaram.

A nível pessoal fica a lição de que nunca se deve "menosprezar" uma prova... Se nos inscrevemos temos que a respeitar e preparar-nos de forma conveniente! Além disso não pode acontecer numa prova onde praticamente nada é ao nosso jeito deitar-nos completamente abaixo, temos que trabalhar de maneira a poder dar sempre o melhor de nós, em toda e qualquer circunstância! Mas como disse no título do post: ainda há tanto para aprender! Agora resta fazer a preparação final para o EGT e esperar que tudo corra pelo melhor.

sábado, 6 de maio de 2017

A minha mochila para 2017: Instinct Evolution Trail Vest

A vida enquanto atleta vai mudando... De época em época vamos evoluindo e juntamente com a nossa evolução vai também evoluindo a exigência que vamos tendo com o nosso material. No início desta época falei com a Cláudia Ramos e com o Nuno Duarte da WildStore e falámos sobre a minha mochila, a Ultimate Direction - Scott Jurek, que já estava a ficar velha e que estava a precisar de troca, afinal de contas já ia na segunda época a fazer muitos quilómetros, em treino e em prova e os elásticos já estavam a ficar estragados. Entretanto apareceu a oportunidade de experimentar uma mochila relativamente nova no mercado nacional, a Instinct Evolution Trail Vest. 

Instinct Trail Vest

A Instinct é uma marca francesa que tem como objetivo criar como que uma união perfeita entre o atleta e o equipamento que utiliza, como dizem no site deles pretendem criar uma relação entre ambos, que dê uma liberdade de movimentos enorme ao atleta, sem nunca descurar o material que deve ser transportado consigo. Devo admitir que não conhecia muito profundamente a marca antes desta oportunidade mas estes pressupostos deixaram-me curioso sobre como seria a mochila e como me adaptaria a ela depois de mais de dois anos com a anterior. Recebi-a em casa na semana anterior ao Ultra Trail do Piodão, junto com outro material de que vou falando no meu instagram e por aqui.

"Unboxing" da encomenda de material para 2017

Assim que a experimentei tentei perceber todos os locais onde dava para ajustar (vantagem de ser de tamanho único, pode-se ajustar tudo), de maneira a ficar mesmo justa ao corpo, como se fosse um colete feito à medida. Começei pelas laterais, é aqui que gosto que esteja mais justa, para conforto pessoal... É que quando os flasks estão cheios e andam a pular de um lado para o outro fazem-nos perder a fluidez dos movimentos de corrida. Com este ajuste, esse aspeto estava corrigido.

Elásticos laterais da mochila
Logo de seguida ajustei os elásticos dos ombros, um local que também tem que estar bastante justo uma vez que se estiver largo vai andar sempre a roçar o pescoço e pode fazer ferida. Este segundo ajuste aconselho a ser feito por outra pessoa, enquanto o colete está vestido, até para sentirmos qual é o exato momento antes de deixar de estar justo e passar a desconfortável. Os elásticos da mochila têm todos um fecho fácil para a mochila não ir alargando ao longo do exercício. Uma coisa ótima que as mochilas de tamanho único têm e a que não estava habituado é que com o avançar dos quilómetros o corpo acaba por ficar mais "chupado" e naturalmente a mochila fica desajustada... Com estes elásticos isso deixa de ser um problema uma vez que é só dar mais um ligeiro "aperto" e volta imediatamente a estar perfeita.

Elásticos superiores

Os bolsos da mochila são uma das principais diferenças para aquilo a que estava habituado, mas segundo percebi por outras marcas, são a evolução natural de todas as mochilas, ou seja, deixam de ter fechos "zip" e em grande parte dos bolsos não têm mesmo fecho nenhum. Como é muito justa, o material consegue manter-se no local, sem saltar, sem se mexer dentro dos bolsos (que são enormes, em prova já levei 3 géis, três barras e três pastilhas) e uma coisa também muito importante, sem se sentir a "roçar" no corpo.

Bolsos pretos, por baixo da entrada dos flasks

Isto é válido quer para os dois bolsos por baixo dos bolsos dos flasks quer o bolso amarelo por cima da bolsa do flask (sendo que esta tem duas camadas sobrepostas para garantir que fica tudo no bolso). É neste último bolso que se encontra também o apito, um requisito quase sempre obrigatório em provas longas e que pode ser fundamental em caso de emergência. Para finalizar o capítulo dos bolsos frontais só falta mesmo falar dos flasks. Uso os de 500mL da Hydrapack e parece que são mesmo feitos para esta mochila (não é por acaso que são os recomendados pela marca)... Quando estão cheios entram muito facilmente (não temos que estar preocupados em abrir bem os bolsos) e desde que os fechos estejam bem apertados, não saem de lá!

Os 3 bolsos, de cima para baixo: bolso com dupla camada + apito, bolsos flasks, bolso para barras

Atrás a mochila tem mais 4 bolsos, ou como gosto de chamar, compartimentos... É aqui que podemos meter todo o material obrigatório ou que prevemos que vamos utilizar durante a prova/treino. Um dos compartimentos, o mais junto às costas serve para meter o Depósito de Água, para quem prefira este método aos flasks ou mesmo para quem queira ter os dois. Depois, um compartimento igual ao do Depósito da água, mas separado por uma rede. Estes dois compartimentos estão "selados" por um fecho "macho-femea"... Este fecho apesar de parecer insignificante, é uma ótima ajuda psicologicamente porque as coisas grandes não passam pelo mesmo, logo é menos uma preocupação. Se a mochila estiver muito cheia, este fecho ajuda também a manter a mochila bem fechada/justa, para que o material não ande a "dançar" lá dentro.

Bolso para reservatório de água (preto), bolso igual ao do reservatório (amarelo) e o bolso mais exterior é o que falo de seguida

Depois existem mais dois bolsos, mais pequenos e sem fechos para material que precisemos de ter à mão.. Um dos bolsos tem o acesso por cima e outro tem acesso lateral. É neste último que estão os dois elásticos que podem transportar os bastões, garantindo assim um acesso fácil pela lateral, quer para os retirar, quer para os colocar. Vou dar três exemplos de utilização destes compartimentos para perceberem as suas dimensões e utilidade: Piodão, Trail de Pombal e Treino longo na Lousã.

Bolsa pequena com acesso superior (em cima, amarela) e bolsa pequena com acesso lateral (preta, onde está instinct)
Piodão:

  • Bolsa grande interior: manta térmica + frontal, basicamente o material que em princípio não precisaria mas que tinha que transportar por ser material obrigatório.
  • Bolsa pequena com acesso por cima: Pacote de lenços, estava algo desanrrajado dos intestinos e se precisasse de parar durante o percurso, era só aceder ao bolso.
  • Bolsa pequena com acesso lateral: Impermeável WAA. Era material obrigatório e o tempo estava algo inconstante. Felizmente o tempo esteve impecável e não foi preciso aceder à bolsa.
Mesmo estando com muito material a mochila manteve-se justa durante as 5h que durou a prova

Trail de Pombal:
  • Bolsa grande interior: manta térmica, pacote de lenços. A prova era "curta" e não precisava de levar muita coisa, basicamente era só para levar os flasks e os géis na parte da frente.
  • Bolsa pequena com acesso por cima e bolsa pequena com acesso lateral: vazias.
Mochila praticamente vazia, ao contrário do Piodão, parece um autêntico colete

Treino longo da Lousã:
  • Bolsa grande interior: manta térmica, sandes para meio do percurso.
  • Bolsa pequena com acesso por cima: pacote de lenços, só para jogar pelo seguro.
  • Bolsa pequena com acesso lateral: vazia, prevejo usar muito esta bolsa no inverno, para o impermeável, tal como no Piodão.
Mochila com pouca carga, mas mesmo assim mantém a forma de colete

Mais dois apontamentos que são importantes: na parte da frente da mochila conseguimos ajustar os fechos do peito para que os flasks estejam mais acima (para quem gosta de beber do flask sem o tirar da mochila) ou mais abaixo mudando assim também o ajuste da mochila. Tem que se ter todos estes ajustes em conta para ficar mesmo ao gosto de cada atleta. Por fim e um dos aspetos mais importantes da mochila é a rede que está em contacto com o nosso corpo... Esta rede faz com que o suor não fique acumulado na mochila, mantendo assim o peso e não se tornando incomodativo.

Rede da mochila e ajuste dos dois fechos para a altura dos flasks e da própria mochila

Não é garantidamente pelo material que os resultados não aparecem. Gostava só de agradecer novamente à Wild pelo ótimo aconselhamento, pelo acompanhamento que me têm dado e pela pronta ajuda a todas as necessidades com que vou aparecendo... Muito obrigado por tudo!